Colunistas

Os retirantes

08/09/2017 16h03

Moradores de um pequeno vilarejo; denominado Riacho Grande, destrito da cidade de Mrandópolis viviam Sô Antônio e Dina Beralina, juntamente com seus dois filhos: José Maria e Maria José.

Vida dura da roça levantava 5 hs e após um tira jejum de arroz, feijão e farinha, ou seja, um revirado, do que sobrou na noite anterior, partiam o campo em um pedaço de terra que haviam arrendado de um fazendeiro da região. Vida dura no cabo da enxada, sol escaldante, era o que lhe rendia para a sobrevivência. Cultivavam de tudo um pouco. Era Sô Antônio e os filhos enquanto dona Sá Beralina, ficava na linda casa, pois levantava ainda de madrugada para preparada a comida que era levada nos caldeirões para a roça. Enxadas nas costas e os caldeirões nos cabos das enxadas.

O relógio de Sô Antônio era o sol, por sua altura no céu. O almoço era quando o sol estava no meio do céu. José Maria era quem esquentava a boia, arranjava umas pedras onde fazia um fogãozinho e ali acendia um fogo, onde esquentava a comida. Após cada um sentar em canto para comer, pois sabiam após a comida o dia era mais longo, ou seja, até o sol se esconder, onde voltavam para casa. Á noite, Sô Antônio e dona Sá Beralina conversavam sobre os filhos, pois precisavam estudar e ali não havia recursos, o que faziam era só para o sustento.

Depois de muito pensar, resolveram ir para a cidade. Alugaram um barraco e providenciou a mudança, que foi feito num velho carro de boi, cedido pelo fazendeiro.

Após tudo ajeitado, matricularam os filhos numa escola estadual, onde fizeram o ensino básico, eles foram muito aplicados, pois sabiam o esforço dos pai, ela trabalhando como faxineira e ele de servente de pedreiro, pois mal escreviam o nome.

A partir daí partiram os meninos para o vestibular, Maria José prestou para professora e foi feliz, José Maria optou por direito e também foi bem sucedido. Humildes e tímidos adentraram na faculdade para o primeiro dia de aula, o que não foi surpresa, alunos veteranos foram recepciona-los para o batismo, a fim de que fossem aceitos por eles, ou seja, os famosos trotes, tiveram que ingerir bebidas alcoólicas, tomar ovo cru, óleo na cabeça com farinha de trigo, óleo queimado e até fumar alguns baseados. Posteriormente foram jogados na piscina muito atordoados.

Que decepção começaram a sentir, pois estavam tão satisfeitos, incrédulos começaram a pensar, querer crescer e evoluir é passar por tudo isso, mais mesmo assim não desanimaram, lembravam-se do sofrimento de seus pais e o trabalho na roça e a vida dura que tiveram.

O tempo passou como tudo na vida e os meninos formaram naquilo a que se propuseram. Ela professora e ele advogado as coisas boas da vida. Realizando seus ideais e dando vida digna a seus pais.

Hoje, ao sentarem-se a mesa para a refeição, agradecem a Deus os dias duros que tiveram o que lhes serviu de estimulo para uma vida melhor. Dando a seus pais uma velhice tranquila e feliz. Formalizo e ouso dizer-lhes acredite e vencerás.

Deus dá o frio, conforme o cobertor.

Irio
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